- Descobri que estava gravida um dia antes do meu aniversario de 25 anos, e foi incrível, uma felicidade sem tamanho, e junto com toda a minha alegria veio o peso da responsabilidade e o medo, o medo de não dar conta, o medo que o pânico me impedisse de ser uma boa mãe. Desde que soube da minha gravidez me esforcei ao máximo para controlar minha ansiedade, eu não podia permitir que meu bebe se sentisse inseguro, não podia deixar ele sentir aquele medo horroroso, não podia ter um ataque de pânico gravida, não queria meu bebe sentindo aquele desespero, precisava manter a calma e o controle para manter meu bebezinho seguro dentro de mim, precisava mostrar pra ele que estava tudo bem e que iria protege-lo sempre.
Marquei uma ultrassonografia para confirmar a gravidez porque odeio tirar sangue, e se podia evitar ao menos uma agulhada, então eu evitaria. Minha sogra me acompanhou, mas não ajudava muito a me sentir segura, já que não tínhamos intimidade e ela não sabia o que se passava comigo. Gente que tortura que sempre foi para mim ficar sentada em clinicas e hospitais esperando me chamarem, minhas mãos formigavam, coração na garganta, tremedeira, sensação que iria cair, ainda assim entrei sozinha, era minha primeira ultra, e aquele momento era só meu, não deixei minha sogra entrar, meu marido não pode ir, então fui sozinha, tremendo e respirando, pensando só no bebe, sentei e esperei a medica, que para minha sorte era um doce, ela começou o exame, e falou:
_ Ah!! Parabéns mamãe!! Você esta gravida!! Olhe um bebezão!!
Gente nessa hora, não tinha panico, não tinha ansiedade. Eram só eu e meu bebe, ele naquela telinha pulando, perfeito. Estava gravida de 11 semanas. Eu sai de la outra mulher, sem medo, rindo e andei tranquila pelas ruas como não fazia a dois anos.
Chegou o bendito dia da bateria de exames, cheguei no laboratório em jejum, com medo, dessa vez meu marido estava comigo, e eu desmaio quando vejo sangue , eu sentia dores de barriga de medo, minha mão tava gelada, suando frio, tremendo muito, e quanto mais demoravam para me chamar mais eu tinha medo, pensava: Meu Deus,vou desmaiar, vou passar mal. E de verdade ate hoje não sei qual era o problema se eu desmaiasse, meu marido poderia me segurar, mas mesmo assim eu morria de medo. Entrei na salinha com aquele cheiro de álcool, só aquele cheiro já me faz sentir desespero, uma enfermeira grossa, mandou eu sentar, eu falei que desmaiava quando via sangue , então ela me disse :
_ Iiiiih vai desmaiar muito ainda então, gravidas fazem exames toda hora, e no parto como é que vai ser??
Poxa ela podia ter me poupado dessa né. Enchi os olhos de lagrimas, mas não chorei segurei na mão do meu marido olhei para a parede e pensei : " Não vou desmaiar também!! Só de ruim!!", não desmaiei, mas o medo que passei quase me tirou a alegria de estar gravida.
No inicio fui em todas as consultas sozinha, meu marido não podia me acompanhar, achei um bom medico, mas os hospitais, mesmo particulares, no Rio de Janeiro eram horríveis, muitas historias tristes nos jornais, eu me sentia muito insegura, só de pensar no parto eu já gelava, sentia minha nuca formigar, meu coração acelerava, isso só de pensar.
Com cinco meses de gestação tive um pequeno sangramento, me apavorei, mãe de primeira viagem, longe da minha mãe, longe da minha tia, passei a noite alerta com medo de perder meu bebe, e minha sogra querida, não parava de falar que era porque eu havia tomado refrigerante, e isso descolava a placenta, que ela havia me avisado mas eu não queria me cuidar, que eu não havia tomado nenhuma das vitaminas que ela me trouxe e bla bla bla. Tive que esperar o dia amanhecer para ir na maternidade, porque uma consulta de emergência era absurdamente caro, quando cheguei la, eu nunca tinha entrado em uma maternidade, ela era toda verde, um verde escuro, enorme, eu vi um medico passar correndo gritando para preparar a sala de cirurgia que ele estava indo, eu vi uma mulher passar andando arcada, e aquilo tudo fez minha cabeça rodar, pensei que se tinha algo errado com meu neném eles iriam me internar, me levar para a cirurgia, sentia que ia desmaiar, uma agonia , uma vontade de fugir dali, o medico me levou para a salinha dele, fez uma ultra, meu bebe estava perfeito, dormindo, coração batendo forte, e a placenta no lugar, ai ele me explicou que pequenos sangramentos eram normais, podiam acontecer, voltei para casa.
Decidimos então voltar a morar em Curitiba, onde eu me sentiria mais segura. Nessa época eu tinha muita falta de ar, e umas pontadas muito fortes no peito, eu já havia feito muitos eletros, e ate um holter eu havia feito, mesmo sabendo que meu coração era saudável, toda vez que dava a pontada eu gelava, e como não ter medo de infartar com pontadas no peito ? O que as pessoas não entendem é que os medos sao pscicologicos, mas as dores que sentimos são reais, os sintomas fisicos são verdadeiros, e é dificil ser racional nesse momento. Eu não queria morrer, as pontadas me tiravam o folego, e era só a minha coluna, devido o peso da barriga.
Durante o pré-natal, que aqui em Curitiba eu fiz pelo sus, eu fui me sentindo mais segura e perdendo o medo do parto, assisti milhares de vídeos de partos, tanto normal quanto cesárea, fiz curso de gestante, fui conhecer a maternidade, a sala de parto, e tudo mais. Li centenas de depoimentos e matérias de mães que tiveram parto normal, no fim eu já não tinha mais medo do parto em si, mas ainda achava que fosse morrer nele. Para quem não tem síndrome do pânico, não vai me entender jamais, mas tenho certeza de que quem sofre com isso, consegue entender, a nossa mente é poderosa demais, e mesmo esses pensamentos parecendo absurdos para a maioria das pessoas, para nós esses medos são reais, e mesmo sem logica eles nos torturam e escravizam.
Nas raras vezes em que precisei sair sozinha aqui durante a gravidez , eu consegui, claro que sempre alerta, tensa, sempre, sempre com tonturas, vista embaçada, e coração acelerado, o simples fato de ouvir chamarem meu nome na sala de espera já acelerava meu coração.
Durante um dos exames de rotina do pré-natal eu desmaiei, e não senti medo algum, por mais estranho que seja, eu morria de medo de desmaiar, e quando desmaiei não senti medo algum.
Passei o resto da minha gestação tranquila, mas toda vez que lembrava da maternidade onde minha filha iria nascer, ou passava na frente, meu corpo gelava na hora, sentia dores de barriga, enjoo, e dores pelo corpo.
Lembro de uma amiga que falou assim dias antes do parto :
_ Você vai ter parto normal?? Sabia que a dor é equivalente a 20 ossos quebrando ao mesmo tempo?È a dor da morte, as mães que dizem que a dor não foi tão grande, é porque o fato de amamentar o bebe, apaga a dor, faz elas esquecerem!!
Gente, se você nao tem uma coisa positiva para falar, fique de boca fechada sabe, eu fiquei pensando nessa asneira que ela me falou durante horas, mas depois pensei, ela nao tem filhos, nem morreu para saber que é a dor da morte, então vou confiar no meu corpo, nosso corpo foi projetado para isso, o parto normal, e um desfecho natural para o fim da gestaçao, ele ficou 9 meses se preparando para aquele momento, meu corpo e meu bebe iriam saber como agir, entao relaxei e nao pensei mais em coisas negativas.
Enfim, eu nao consegui evitar sentir os varios sintomas chatos que a sindrome do pânico e ansiedade nos causam, mas graças a Deus eu não tive nenhum ataque de pânico forte durante a minha gestaçao.E nem uso de remedio algum, seja um simples calmante ou remedios para dor, nenhum mesmo.
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