segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Esperando as crises irem embora

Enfim...continuei a esperar que um dia as crises fosse embora, eu demorei muito para pesquisar sobre o assunto, demorei muito para procurar ajuda, eu fiquei contornando a situação, tendo crises de pânico, me trancando em casa, superando saindo e tendo crises novamente.Eu não sabia de todas as inúmeras coisas que a ansiedade nos faz sentir, então cada sintoma era um medo novo, tive medo de morrer engasgada com a comida, porque o nó na garganta não me deixava engolir direito, tive medo de morrer dormindo, eu deitava na cama e sentia meu coração bater tão forte e eu podia contar as batidas dele sem nem por a mão, passava horas contando as batidas para ver se ele estava batendo certinho, e tinha certeza de haver algo errado, um amigo passava horas a fio conversando comigo no telefone porque eu tinha medo de morrer sozinha, então ele ficava falando falando falando qualquer bobagem ate eu dormir, eu tive medo de comer comida estraga e ter uma intoxicação, tive medo de tomar remédios e se eu tomasse uma aspirina ou algum remédio por mais simples que fosse eu já sentia dores de cabeça, enjoo, tontura e lá vinha mais uma crise, tive medo de ter medo.
Ainda assim eu conseguia trabalhar, estudar e viver quase normal, eu ignorava tudo que sentia e continuava, viajei para uma cidade bem longe para prestar vestibular, sozinha, e lá tive uma crise horrorosa, liguei para um amigo que morava na cidade, mas tive vergonha de dizer o que estava acontecendo, e ele não pode ir me encontrar, as pessoas que eu conhecia na cidade não eram intimas o suficiente para que eu pudesse pedir ajuda, sem que elas pensassem que eu era louca, e eu não queria que as pessoas soubessem o que eu tinha, então eu fiquei lá "tendo um treco" ate meu corpo cansar de "morrer" e eu dormi de cansaço, ainda assim prestei vestibular, eu havia ido ate lá, tinha passado uma noite horrível, eu tinha que fazer a prova e passar, todo aquele sofrimento tinha que valer a pena, eu fiz a prova em 40 minutos, corri para a rodoviária peguei o primeiro ônibus e vim para casa, foi a minha ultima viagem sozinha. Eu passei no vestibular, fiquei muito feliz em ter passado em uma faculdade publica, mas me senti a mais derrotada do mundo porque  sabia que não iria poder cursar, eu não iria conseguir morar sozinha, a essa altura eu não consegui nem tomar banho sozinha.
Eu namorava um menino pela internet, ele e minha tia foram os meus anjos nessa fase, ele morava em Lisboa na época, e eu havia ido morar com minha tia, eu e o meu namorado resolvemos então morar juntos, ele veio embora, e fomos embora para o Rio de Janeiro, onde a família dele morava,
e la as coisas pioraram muito, eu morria de medo de assalto, de tiroteio, e tudo parecia feio, a cidade parecia assustadora, muito lixo, muita tristeza e muito muito calor. Comecei a trabalhar la , e ainda conseguia ir pro trabalho as vezes sozinha, o fato de eu morrer de medo de assalto me deixava o dia todo alerta, meu marido começou a me levar e buscar do trabalho, e com isso eu parei de sair sozinha, e não conseguia mais me sentir segura sem ele ao meu lado, la eu não tinha amigos, nem família, a família dele não se envolvia muito, então era eu e ele. O meu ultimo ataque de pânico la foi na rua ,eu estava sozinha, e precisei pedir ajuda para uma moça, e ela foi um anjo, ela sentou comigo e ficou falando da filha dela que estava gravida de oito meses, um mês depois eu descobri que estava gravida.

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