A Recaida, a pior crise de todas e o recomeço.
Vou avisando que esse post vai ser bem longo, mas muito importante, vou falar, da minha recaida, a doença da minha mãe e finalmente o inicio do meu tratamento e os desabafos e as descobertas sobre mim mesma. Enfim vamos lá.
A minha filhota estava enorme com quase um ano,linda, saudavel, e muito, mas muito sapeca, eu estava feliz mesmo convivendo com a ansiedade, o panico e os medos, estava dando pra levar a vida numa boa, mesmo com os sintomas, que eu vinha controlando muito mais facil.
Desde que minha filha nasceu , minha mãe vinha tratando um câncer na bexiga, acompanhei ela em quase todas as consultas, mesmo com medo daquelas filas enormes nos hospitais, mesmo com ansiedade diante dos diagnosticos, eu ia, sempre positiva, sempre falando "mãe isso não é nada demais, hoje a medicina esta muito avançada, vamos da um jeito, vai dar tudo certo" , sempre tentei passar força pra ela da melhor maneira possivel, nunca disse que tinha medo , nunca disse que pensava no pior, so chorei uma vez na frente dela, e acreditei muito na cura dela, ela passou por algumas cirurgias, e eu sempre desmaiava quando via sangue, para poder fazer os curativos dela eu tinha que ligar pra minha tia, pra distrair a cabeça no telefone e nao prestar a atençao na tremedeira, nem no medo , fiz o melhor que pude, ela ficou usando bolsa, porque eles haviam retirado a bexiga dela, e mesmo assim eu olhava pra ela e sorria sempre, e ela foi muito forte, um exemplo mesmo, não deixou se abalar, em pouco tempo estava animada e vaidosa. Ela começou a melhorar, passeamos muito nessa fase, vivi com ela dias muito felizes, de mãe filha e neta, fomos as compras de mulherzinha, falamos mal dos homens,eu havia morado dois anos longe dela, estava aproveitando cada minuto. Fiz uma janta simples e com o maior amor do mundo para o aniversario dela de 50 anos, e foi um dia tão especial e eu nem me dei conta do quanto, foi o primeiro aniversario dela na minha casa e o ultimo aniversario dela, e logo depois ela começou a piorar, nao vou entrar em detalhes, porque ainda me dói lembrar.
Mas foi ai que a minha recaida começou, o pânico veio então mais forte do que quando começou, eu ja nao tinha mais confiança se poderia controlar as minhas emoçoes, tudo, absolutamente tudo me dava medo. Procurei entao uma terapeuta, uma especialista em terapia congnitivo comportamental, . Aí então comecei uma luta, de melhora e piora. Minha mãe cada dia pior, aquele medo, aquela ansiedade, e a culpa por não conseguir cuidar dela, eu nao conseguia olhar pra ela sem ter uma crise.
A pior crise todas. Quando estava começando a melhorar, a sair novamente, estava indo na minha primeira terapia, eu sempre tive ansiedade por andar em onibus, mas naquele dia foi demais, em questão de segundos eu estava desesperada, tentei distrair, tentei ler, bebi agua, e nada, o desespero so aumentava, as minhas mãos formigaram, a lingua e o ceu da boca formigaram, o meu olho pulava, meus dedos das mãos dobraram e eu nao conseguia abri-los, suava frio, sentia calor, sentia frio, sensaçao de desmaio, enjoo, tontura, visao embaçada, coraçao batendo forte. O meu pesadelo estava acontecendo ali na frente de todos , da minha filhotinha, do meu marido, que ficava dizendo pra eu me controlar, dizendo que estava com vergonha, as pessoas todas me olhando assustadas, algumas rindo, eu nunca tinha me desesperado dessa maneira, ninguem nunca tinha percebido quando eu estava em crise. Eu queria descer do onibus, precisava sair de lá, mas meu marido não deixou, ate hoje essa foi a pior crise que ja tive, durou exatos 30 minutos, de terror e medo intenso, achei que fosse morrer, eu queria desmaiar pra que aquilo tudo parasse, sentir os dedos se retorcerem e a lingua formigar é muito assustador, então eu desisti, pensei " isso não passa! Que se dane , ja paguei o maior mico", fechei os olhos e abaixei a cabeça e deixei as coisas acontecerem, foi quando apareceu uma moça, querida , com olhos verdes enormes, ela pegou minha mão e falou " moça, eu te ajudo, eu tambem tenho sindrome do pânico, isso ja vai passar, sei que esta horrivel agora, mas ja vai passar", gente, tudo que precisou pra me tirar da pior crise da minha vida, foi um olhar compreensivel, e uma conversa calma, pra tirar meu foco dos sintomas, em menos de dois minutos minhas mãos pararam de formigar e meus dedos desenrolaram, eu peço a Deus sempre que abençoe aquela moça, ela conseguiu com uma simples conversa me ajudar naquela momento horrivel, e o lado bom é que aquela foi a crise mais intensa que ja passei, e não morri, não desmaiei, não cai, só paguei um mico enorme.
Tive ainda mais uma crise assim, e comecei entao um tratamento homeopatico junto com a terapia, o meu medo cresceu muito. E quando os efeitos do tratamento começaram a aparecer a minha mãe faleceu, e como eu tinha medo desse momento , gente, eu temi esse momento a minha vida inteira, toda cirurgia que ela passou eu me recusava a pensar nesse momento, eu vi ela muito pouco antes dela partir, ela estava pesando menos de 40 kg, eu simplesmente nao conseguia olhar pra ela sem ter panico, e toda vez que tinha crise na frente dela, eu via nos olhos dela, que ela se sentia culpada pela minha recaida, me culpei muito por nao ter conseguido ir nenhuma vez no hospital, mas nesse momento eu nao ia nem no meu portão, era prisioneira da minha casa, queria ter ficado ao lado dela ate o ultimo minuto, mas eu nao consegui e me cobrei muito por isso, no dia em que ela faleceu quando disseram para nos preparar , eu tive uma crise, e passamos dia todo naquela angustia, e quando o telefone tocou pra me darem a noticia, eu tive outra crise, nao consegui ir ao velorio. Mas hoje sei que fiz o que pude, cuidei ate onde consegui, e quando nao pude mais, ela foi muito bem cuidada, com muito amor.
Hoje eu estou fazendo terapia semanalmente, passei por muitos dias dificeis, mas passei pelos meus piores pesadelos, e estou aqui, tive crises diariamente mesmo dentro de casa, desenvolvi agorafobia e fobia social, mas graças a essas fases, eu coloquei pra fora os meus demonios, pude tirar das minhas costas o peso de culpas que nunca foram minhas, pude parar de sentir vergonha por erros que não eram meus, estou mais leve, aprendendo a cada dia superar a minha carência, e me conheço muito mais, e compreendo muito mais os motivos pelos quais o pânico aconteceu, nao vou detalhar as coisas que aconteceram ate hoje , porque ja foi dificil contar pra terapeuta.
. Mas aprendi que preciso aceitar o passado, preciso acreditar no meu valor, como mulher, como pessoa.
Eu tinha zero de auto estima, nenhum amor proprio, nenhuma confiança em mim mesma.
Estou me reconstruindo aos poucos, ja fiz muito progresso em pouco tempo, ja consigo controlar o pânico novamente, ainda tenho crises, mas hoje ja esta mais facil, o caminho ainda é longo, mas é preciso persistencia e paciência.
Hoje sei que pra vencer o pânico é preciso mudar completamente o modo de se viver, nso cobrar menos, nos culpar menos, aprender a se impor, a dizer não quando queremos dizer não, descobrir o que nos faz feliz e correr atras disso, e só isso vale a pena, não adianta controlar a crise, é preciso mudar aquilo que causa a crise.
Eu hoje acredito muito na minha cura, não no controle do pânico, mas na cura do pânico, sei que estou no caminho certo para retomar as redeas da minha vida e ter novamente a minha autonomia, porque todos nós merecemos ser livres e felizes.
Ps: RESPIRE!!!!!
Respirem fundo sempre, o controle esta todo na respiração lenta e profunda e no pensamento positivo!! Acreditem!
Paz pra todo nós.
sábado, 30 de novembro de 2013
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Livros de auto ajuda
Bem, queria fazer um post sobre o livro que estou lendo, que esta me ajudando muito,
o livro vencendo o pânico, de Bernard Rangé.
È um livro bem curto, mas muito, muito objetivo, é com ele que minha terapeuta vai trabalhar comigo nas terapias. Ele ensina tecnicas para quebrar o ciclo vicioso do pânico e agorafobia, explica tambem os porques dos sintomas, e como reconhecer os sintomas de antecipação do pânico.
Eu só encontrei ele na livraria Saraiva, mas consegui baixar ele da internet tambem.
Eu super indico, eu não estava conseguindo nem sair de casa, depois que comecei a praticar os exercícios estou muito melhor.
Espero que gostem.
Se alguem ja leu, por favor comente, ou se souber de alguem outro para me indicar, eu agradeço.
o livro vencendo o pânico, de Bernard Rangé.
È um livro bem curto, mas muito, muito objetivo, é com ele que minha terapeuta vai trabalhar comigo nas terapias. Ele ensina tecnicas para quebrar o ciclo vicioso do pânico e agorafobia, explica tambem os porques dos sintomas, e como reconhecer os sintomas de antecipação do pânico.
Eu só encontrei ele na livraria Saraiva, mas consegui baixar ele da internet tambem.
Eu super indico, eu não estava conseguindo nem sair de casa, depois que comecei a praticar os exercícios estou muito melhor.
Espero que gostem.
Se alguem ja leu, por favor comente, ou se souber de alguem outro para me indicar, eu agradeço.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Síndrome do pânico- Dont panic
Galera curtam minha página la no face, com dicas de alimentação para diminuir a ansiedade, livros que li e me ajudaram muito, exercícios de respiração e etc.
https://www.facebook.com/pequenapaniquenta
https://www.facebook.com/pequenapaniquenta
O parto, a hemorragia e o medo de morrer.
Trinta e nove semanas.
Minha filha nasceu em uma segunda feira, seis e meia da tarde, com trinta e nove semanas de gestação, saudável, e simplesmente linda, não há outra palavra que possa descrever minha menininha, sei que todas as mães dizem isso dos seus filhos, mas a minha é a mais!! Brincadeirinha, todo bebe nasce lindo, e tem como um anjo ser feio??
Bem, vamos la para a parte chata da coisa, pois ate no momento mais lindo da minha vida a síndrome do pânico não me abandonou...
Eu ja não tinha aquele medo congelante do parto, mas ainda era negativa, a minha mente sempre tentando boicotar o meu bem estar, eu ainda achava que algo iria dar errado. Estava la registrado na minha carteirinha de gestante que eu era portadora de síndrome do pânico, meu trabalho de parto durou 14 horas e meia, e eu aguentei bem, realmente achei a dor suportável, eu estava ate rindo, conversando tranquila, as dores começaram ja de cinco em cinco minutos, e gente isso cansa muito, mas acreditem, mesmo com toda a dor, eu não senti pânico, senti aquele medo natural que toda mãe sente, um medo normal digamos assim , mas não senti tremores, suores, coração acelerado, nada! No inicio da gestação eu pensava que não aguentaria tanta dor, eu morreria, ou desmaiaria na mesa de parto, mas eu fui forte e tranquila, sinto muito orgulho disso, hehehe, meu marido esteve comigo todo o tempo, e isso me ajudou muito, terei oitenta anos e serei grata a ele por esse companheirismo, apesar que ele passou dias rindo da minha cara, dizendo que eu parecia um tomate prestes a explodir. A minha princesa nasceu linda e veio direto para o meu colo, depois meu marido foi com ela para colocarem roupinhas e tudo mais, fiquei la enquanto o medico terminava o processo todo, e fiquei conversando, hoje acredito que não entrei em pânico simplesmente porque meu corpo estava preparado para isso, minha mente tinha medo, mas meu corpo sabia que aquilo era natural, não representava perigo, por isso meu corpo não teve essas reações tão desagradáveis, mas o pior ainda estava por vim...
Saí da sala de parto e fiquei na sala de observação, ficamos ali para o caso de uma hemorragia ou complicação, eles correm logo com a gente para o centro cirúrgico. Trouxeram minha pequena, e gente como ela era linda!!Ela não nasceu enrugadinha, ou com a pele manchadinha, nada, ela nasceu maravilhosa, cheirosa, minha florzinha, ainda hoje choro só de lembrar, a enfermeira colocou ela para mamar, que momento M A R A V I L H O S O , você entende nesse instante o quanto você é essencial para aquele ser tão pequeno, foi nesse momento maravilhoso que eu comecei a tremer, o corpo todo, sentia frio, um frio que não passa, e eu estava com muita dor nos pontos, me desesperei, falei: TO MORRENDO!! A enfermeira veio e me disse que isso iria passar era um efeito da anestesia local que aplicaram, que era normal e ja ia passar, meu Deus como aquilo foi assustador. Levaram-me para o quarto, meu marido teve que ir embora, não permitiam homens passar a noite la, eu fiquei sozinha ate minha amiga chegar, eu não tinha forças para nada, mas era só felicidade, umas três horas apos o parto me deu novamente aquela tremedeira horrível, meu corpo doía de tanto que tremia, a enfermeira disse que era pscicologico, então fiquei quieta abracei minha filhinha, ate aquilo passar, no outro dia eu vi todas as mulheres levantando indo tomar banho, fortes, andando normalmente, e eu la, não tinha forças para levantar e os médicos dizendo que era normal, que eu tinha que perder o medo levantar tomar banho, que logo iria melhorar, arranquei forças não sei de onde, levantei tremendo de fraqueza, dei banho na minha filha, e fui tomar banho me arrastando, eu não tinha força. Os dois dias que fiquei internada eu fiquei assim, fraca, sem fome, sabia que tinha algo errado, eu não estava bem! A medico veio me dar alta, eu falei que não estava bem, aquela fraqueza não ia embora, ela falou : "Mãe você tem que comer."
O meu primeiro dia em casa, fui tomar banho e desmaiei, fui no posto de saúde, me falaram que foi só uma queda de pressão, devido a fraqueza, que eu devia comer e ia ficar tudo bem. Gente eu não tinha forças nem de ir da minha cama para a cozinha, mas como disseram que era pscicologico, eu me esforçava ao máximo e tentava fazer uma coisinha ou outra, eu chorava, chorava muito, tinha muita vontade de chorar, não tinha animo nenhum, pensei que estivesse com depressão pós parto, meus pontos doíam tanto que latejavam, fui então na reconsulta , dez dias apos meu parto, relatei ao médico que eu estava fraca demais, que meus pontos doíam demais, que o sangramento não parecia normal, tava muito escuro, ele olhou e disse que estava normal, um dos pontos estava aberto, ele decidiu não mexer, disse que havia dado uma fibrose no ponto, uma fibrose é uma carne esponjosa, ele falou que como o corte foi profundo a carne na tentativa de cicatrizar mais rápido acabou criando um excesso, que eu poderia operar mais tarde, sim eu sei, eu sou muito azarada, mas ele disse que iria ficar tudo bem. Eu tava cansada de ouvir isso e não ficar bem. Doze dias apos meu parto tive febre do leite, meu seio empedrou, chorei muito, e não tinha ninguém alem do meu marido para ajudar a cuidar da minha filha, ele mal dava conta de limpar a casa, eu tinha que cuidar dela mesmo fraca, eu não tinha fome, mas comia porque ela precisava de leite, eu cuidei dela com forças que só Deus me deu, hoje vejo que foi ele quem me ajudou, sem ele eu teria morrido, eu não tive nem mãe nem sogra para cuidar de mim quando cheguei em casa, era eu, meu marido, minha filha e meu medo.Com treze dias, a febre do leite passou, levantei e fui tomar banho, quando começou a hemorragia, aquele sangue sem fim, gente parecia uma torneira, que desespero, pensei:Vou morrer agora! Eu sabia! - Saímos correndo para a maternidade, fui comendo uma maçã, cheguei la, me levaram fazer uma ultrasson, não sei porque não fizeram antes quando disse tantas vezes que eu não estava bem, o medico olhou para minha cara e falou : " Você tem restos placenta aqui, vou internar e fazer uma curetagem". Gente que desespero, voltei para sala e chamei meu marido que iria ficar comigo, chorei agarrada nele e na minha boneca, eu não sabia como era uma curetagem, nem se era perigoso, mas sabia que estava com hemorragia, nesse dia eu pensei de verdade que fosse morrer, mas não como nos ataques de pânico, era mais consciente, chorei olhando para minha filha, e pensei que não era justo, eu já sofria tanto com a síndrome do pânico, com medo todo dia, eu era boa, queria viver, ver minha filha crescer.
Como eu havia comido a bendita maçã, eu fiquei 8 horas, sangrando, chorando, esperando para poder fazer a curetagem, e quando deu o horário, eu tive que esperar mais porque a anestesista ainda não tinha chegado, esse é nosso sus, eu fiquei la do meio dia ate 11 horas da noite sangrando. Enfim, me levaram para a sala, e eu chorando, pensando que aquela era uma despedida da minha filha amada e do meu marido tão querido, amamentei minha filha e fui. A medica que fez o procedimento, era uma querida, por sorte minha, ela me explicou então como seria, que a anestesia era leve e tudo, relaxei e pensei em Deus, quando acordei meu marido estava olhando para mim e minha filha já estava do meu lado, pronta para mamar. Eu acordei outra pessoa, com fome e animada, a medica mandou eu levantar e me vestir, quando fui fazer isso o sangue de novo!! Um monte, coagulado, parecia um figado de boi enorme, gritei para a médica, ela veio correndo, chamou as enfermeiras, elas haviam esquecido de aplicar a tal da injeção que faz nosso útero retrair, por isso eu estava com hemorragia de novo. Sai de la umas duas da madrugada.
Depois disso, eu só melhorei, morria de fome, animada, feliz com meu bebe, não tinha mais vontade de chorar, meus pontos não doíam mais.
E isso que segundo os médicos eu não tinha nada.
Eu tive muito medo de morrer , mas graças ao pânico eu tive duas vezes mais medo.
Eu não precisava passar por esse pesadelo , se os médicos tivessem me ouvido, me dado atenção. Contei essa parte chata da minha vida, para mostrar que apesar da síndrome do pânico ter piorado meus medos nessa situação, eu não entrei em pânico, histérica, ou perdi o controle, me desesperei, mas não tive ataques de pânico em nenhum desses momentos que foram tão assustadores.
Minha filha nasceu em uma segunda feira, seis e meia da tarde, com trinta e nove semanas de gestação, saudável, e simplesmente linda, não há outra palavra que possa descrever minha menininha, sei que todas as mães dizem isso dos seus filhos, mas a minha é a mais!! Brincadeirinha, todo bebe nasce lindo, e tem como um anjo ser feio??
Bem, vamos la para a parte chata da coisa, pois ate no momento mais lindo da minha vida a síndrome do pânico não me abandonou...
Eu ja não tinha aquele medo congelante do parto, mas ainda era negativa, a minha mente sempre tentando boicotar o meu bem estar, eu ainda achava que algo iria dar errado. Estava la registrado na minha carteirinha de gestante que eu era portadora de síndrome do pânico, meu trabalho de parto durou 14 horas e meia, e eu aguentei bem, realmente achei a dor suportável, eu estava ate rindo, conversando tranquila, as dores começaram ja de cinco em cinco minutos, e gente isso cansa muito, mas acreditem, mesmo com toda a dor, eu não senti pânico, senti aquele medo natural que toda mãe sente, um medo normal digamos assim , mas não senti tremores, suores, coração acelerado, nada! No inicio da gestação eu pensava que não aguentaria tanta dor, eu morreria, ou desmaiaria na mesa de parto, mas eu fui forte e tranquila, sinto muito orgulho disso, hehehe, meu marido esteve comigo todo o tempo, e isso me ajudou muito, terei oitenta anos e serei grata a ele por esse companheirismo, apesar que ele passou dias rindo da minha cara, dizendo que eu parecia um tomate prestes a explodir. A minha princesa nasceu linda e veio direto para o meu colo, depois meu marido foi com ela para colocarem roupinhas e tudo mais, fiquei la enquanto o medico terminava o processo todo, e fiquei conversando, hoje acredito que não entrei em pânico simplesmente porque meu corpo estava preparado para isso, minha mente tinha medo, mas meu corpo sabia que aquilo era natural, não representava perigo, por isso meu corpo não teve essas reações tão desagradáveis, mas o pior ainda estava por vim...
Saí da sala de parto e fiquei na sala de observação, ficamos ali para o caso de uma hemorragia ou complicação, eles correm logo com a gente para o centro cirúrgico. Trouxeram minha pequena, e gente como ela era linda!!Ela não nasceu enrugadinha, ou com a pele manchadinha, nada, ela nasceu maravilhosa, cheirosa, minha florzinha, ainda hoje choro só de lembrar, a enfermeira colocou ela para mamar, que momento M A R A V I L H O S O , você entende nesse instante o quanto você é essencial para aquele ser tão pequeno, foi nesse momento maravilhoso que eu comecei a tremer, o corpo todo, sentia frio, um frio que não passa, e eu estava com muita dor nos pontos, me desesperei, falei: TO MORRENDO!! A enfermeira veio e me disse que isso iria passar era um efeito da anestesia local que aplicaram, que era normal e ja ia passar, meu Deus como aquilo foi assustador. Levaram-me para o quarto, meu marido teve que ir embora, não permitiam homens passar a noite la, eu fiquei sozinha ate minha amiga chegar, eu não tinha forças para nada, mas era só felicidade, umas três horas apos o parto me deu novamente aquela tremedeira horrível, meu corpo doía de tanto que tremia, a enfermeira disse que era pscicologico, então fiquei quieta abracei minha filhinha, ate aquilo passar, no outro dia eu vi todas as mulheres levantando indo tomar banho, fortes, andando normalmente, e eu la, não tinha forças para levantar e os médicos dizendo que era normal, que eu tinha que perder o medo levantar tomar banho, que logo iria melhorar, arranquei forças não sei de onde, levantei tremendo de fraqueza, dei banho na minha filha, e fui tomar banho me arrastando, eu não tinha força. Os dois dias que fiquei internada eu fiquei assim, fraca, sem fome, sabia que tinha algo errado, eu não estava bem! A medico veio me dar alta, eu falei que não estava bem, aquela fraqueza não ia embora, ela falou : "Mãe você tem que comer."
O meu primeiro dia em casa, fui tomar banho e desmaiei, fui no posto de saúde, me falaram que foi só uma queda de pressão, devido a fraqueza, que eu devia comer e ia ficar tudo bem. Gente eu não tinha forças nem de ir da minha cama para a cozinha, mas como disseram que era pscicologico, eu me esforçava ao máximo e tentava fazer uma coisinha ou outra, eu chorava, chorava muito, tinha muita vontade de chorar, não tinha animo nenhum, pensei que estivesse com depressão pós parto, meus pontos doíam tanto que latejavam, fui então na reconsulta , dez dias apos meu parto, relatei ao médico que eu estava fraca demais, que meus pontos doíam demais, que o sangramento não parecia normal, tava muito escuro, ele olhou e disse que estava normal, um dos pontos estava aberto, ele decidiu não mexer, disse que havia dado uma fibrose no ponto, uma fibrose é uma carne esponjosa, ele falou que como o corte foi profundo a carne na tentativa de cicatrizar mais rápido acabou criando um excesso, que eu poderia operar mais tarde, sim eu sei, eu sou muito azarada, mas ele disse que iria ficar tudo bem. Eu tava cansada de ouvir isso e não ficar bem. Doze dias apos meu parto tive febre do leite, meu seio empedrou, chorei muito, e não tinha ninguém alem do meu marido para ajudar a cuidar da minha filha, ele mal dava conta de limpar a casa, eu tinha que cuidar dela mesmo fraca, eu não tinha fome, mas comia porque ela precisava de leite, eu cuidei dela com forças que só Deus me deu, hoje vejo que foi ele quem me ajudou, sem ele eu teria morrido, eu não tive nem mãe nem sogra para cuidar de mim quando cheguei em casa, era eu, meu marido, minha filha e meu medo.Com treze dias, a febre do leite passou, levantei e fui tomar banho, quando começou a hemorragia, aquele sangue sem fim, gente parecia uma torneira, que desespero, pensei:Vou morrer agora! Eu sabia! - Saímos correndo para a maternidade, fui comendo uma maçã, cheguei la, me levaram fazer uma ultrasson, não sei porque não fizeram antes quando disse tantas vezes que eu não estava bem, o medico olhou para minha cara e falou : " Você tem restos placenta aqui, vou internar e fazer uma curetagem". Gente que desespero, voltei para sala e chamei meu marido que iria ficar comigo, chorei agarrada nele e na minha boneca, eu não sabia como era uma curetagem, nem se era perigoso, mas sabia que estava com hemorragia, nesse dia eu pensei de verdade que fosse morrer, mas não como nos ataques de pânico, era mais consciente, chorei olhando para minha filha, e pensei que não era justo, eu já sofria tanto com a síndrome do pânico, com medo todo dia, eu era boa, queria viver, ver minha filha crescer.
Como eu havia comido a bendita maçã, eu fiquei 8 horas, sangrando, chorando, esperando para poder fazer a curetagem, e quando deu o horário, eu tive que esperar mais porque a anestesista ainda não tinha chegado, esse é nosso sus, eu fiquei la do meio dia ate 11 horas da noite sangrando. Enfim, me levaram para a sala, e eu chorando, pensando que aquela era uma despedida da minha filha amada e do meu marido tão querido, amamentei minha filha e fui. A medica que fez o procedimento, era uma querida, por sorte minha, ela me explicou então como seria, que a anestesia era leve e tudo, relaxei e pensei em Deus, quando acordei meu marido estava olhando para mim e minha filha já estava do meu lado, pronta para mamar. Eu acordei outra pessoa, com fome e animada, a medica mandou eu levantar e me vestir, quando fui fazer isso o sangue de novo!! Um monte, coagulado, parecia um figado de boi enorme, gritei para a médica, ela veio correndo, chamou as enfermeiras, elas haviam esquecido de aplicar a tal da injeção que faz nosso útero retrair, por isso eu estava com hemorragia de novo. Sai de la umas duas da madrugada.
Depois disso, eu só melhorei, morria de fome, animada, feliz com meu bebe, não tinha mais vontade de chorar, meus pontos não doíam mais.
E isso que segundo os médicos eu não tinha nada.
Eu tive muito medo de morrer , mas graças ao pânico eu tive duas vezes mais medo.
Eu não precisava passar por esse pesadelo , se os médicos tivessem me ouvido, me dado atenção. Contei essa parte chata da minha vida, para mostrar que apesar da síndrome do pânico ter piorado meus medos nessa situação, eu não entrei em pânico, histérica, ou perdi o controle, me desesperei, mas não tive ataques de pânico em nenhum desses momentos que foram tão assustadores.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Gravida!!!
Marquei uma ultrassonografia para confirmar a gravidez porque odeio tirar sangue, e se podia evitar ao menos uma agulhada, então eu evitaria. Minha sogra me acompanhou, mas não ajudava muito a me sentir segura, já que não tínhamos intimidade e ela não sabia o que se passava comigo. Gente que tortura que sempre foi para mim ficar sentada em clinicas e hospitais esperando me chamarem, minhas mãos formigavam, coração na garganta, tremedeira, sensação que iria cair, ainda assim entrei sozinha, era minha primeira ultra, e aquele momento era só meu, não deixei minha sogra entrar, meu marido não pode ir, então fui sozinha, tremendo e respirando, pensando só no bebe, sentei e esperei a medica, que para minha sorte era um doce, ela começou o exame, e falou:
_ Ah!! Parabéns mamãe!! Você esta gravida!! Olhe um bebezão!!
Gente nessa hora, não tinha panico, não tinha ansiedade. Eram só eu e meu bebe, ele naquela telinha pulando, perfeito. Estava gravida de 11 semanas. Eu sai de la outra mulher, sem medo, rindo e andei tranquila pelas ruas como não fazia a dois anos.
Chegou o bendito dia da bateria de exames, cheguei no laboratório em jejum, com medo, dessa vez meu marido estava comigo, e eu desmaio quando vejo sangue , eu sentia dores de barriga de medo, minha mão tava gelada, suando frio, tremendo muito, e quanto mais demoravam para me chamar mais eu tinha medo, pensava: Meu Deus,vou desmaiar, vou passar mal. E de verdade ate hoje não sei qual era o problema se eu desmaiasse, meu marido poderia me segurar, mas mesmo assim eu morria de medo. Entrei na salinha com aquele cheiro de álcool, só aquele cheiro já me faz sentir desespero, uma enfermeira grossa, mandou eu sentar, eu falei que desmaiava quando via sangue , então ela me disse :
_ Iiiiih vai desmaiar muito ainda então, gravidas fazem exames toda hora, e no parto como é que vai ser??
Poxa ela podia ter me poupado dessa né. Enchi os olhos de lagrimas, mas não chorei segurei na mão do meu marido olhei para a parede e pensei : " Não vou desmaiar também!! Só de ruim!!", não desmaiei, mas o medo que passei quase me tirou a alegria de estar gravida.
No inicio fui em todas as consultas sozinha, meu marido não podia me acompanhar, achei um bom medico, mas os hospitais, mesmo particulares, no Rio de Janeiro eram horríveis, muitas historias tristes nos jornais, eu me sentia muito insegura, só de pensar no parto eu já gelava, sentia minha nuca formigar, meu coração acelerava, isso só de pensar.
Com cinco meses de gestação tive um pequeno sangramento, me apavorei, mãe de primeira viagem, longe da minha mãe, longe da minha tia, passei a noite alerta com medo de perder meu bebe, e minha sogra querida, não parava de falar que era porque eu havia tomado refrigerante, e isso descolava a placenta, que ela havia me avisado mas eu não queria me cuidar, que eu não havia tomado nenhuma das vitaminas que ela me trouxe e bla bla bla. Tive que esperar o dia amanhecer para ir na maternidade, porque uma consulta de emergência era absurdamente caro, quando cheguei la, eu nunca tinha entrado em uma maternidade, ela era toda verde, um verde escuro, enorme, eu vi um medico passar correndo gritando para preparar a sala de cirurgia que ele estava indo, eu vi uma mulher passar andando arcada, e aquilo tudo fez minha cabeça rodar, pensei que se tinha algo errado com meu neném eles iriam me internar, me levar para a cirurgia, sentia que ia desmaiar, uma agonia , uma vontade de fugir dali, o medico me levou para a salinha dele, fez uma ultra, meu bebe estava perfeito, dormindo, coração batendo forte, e a placenta no lugar, ai ele me explicou que pequenos sangramentos eram normais, podiam acontecer, voltei para casa.
Decidimos então voltar a morar em Curitiba, onde eu me sentiria mais segura. Nessa época eu tinha muita falta de ar, e umas pontadas muito fortes no peito, eu já havia feito muitos eletros, e ate um holter eu havia feito, mesmo sabendo que meu coração era saudável, toda vez que dava a pontada eu gelava, e como não ter medo de infartar com pontadas no peito ? O que as pessoas não entendem é que os medos sao pscicologicos, mas as dores que sentimos são reais, os sintomas fisicos são verdadeiros, e é dificil ser racional nesse momento. Eu não queria morrer, as pontadas me tiravam o folego, e era só a minha coluna, devido o peso da barriga.
Durante o pré-natal, que aqui em Curitiba eu fiz pelo sus, eu fui me sentindo mais segura e perdendo o medo do parto, assisti milhares de vídeos de partos, tanto normal quanto cesárea, fiz curso de gestante, fui conhecer a maternidade, a sala de parto, e tudo mais. Li centenas de depoimentos e matérias de mães que tiveram parto normal, no fim eu já não tinha mais medo do parto em si, mas ainda achava que fosse morrer nele. Para quem não tem síndrome do pânico, não vai me entender jamais, mas tenho certeza de que quem sofre com isso, consegue entender, a nossa mente é poderosa demais, e mesmo esses pensamentos parecendo absurdos para a maioria das pessoas, para nós esses medos são reais, e mesmo sem logica eles nos torturam e escravizam.
Nas raras vezes em que precisei sair sozinha aqui durante a gravidez , eu consegui, claro que sempre alerta, tensa, sempre, sempre com tonturas, vista embaçada, e coração acelerado, o simples fato de ouvir chamarem meu nome na sala de espera já acelerava meu coração.
Durante um dos exames de rotina do pré-natal eu desmaiei, e não senti medo algum, por mais estranho que seja, eu morria de medo de desmaiar, e quando desmaiei não senti medo algum.
Passei o resto da minha gestação tranquila, mas toda vez que lembrava da maternidade onde minha filha iria nascer, ou passava na frente, meu corpo gelava na hora, sentia dores de barriga, enjoo, e dores pelo corpo.
Lembro de uma amiga que falou assim dias antes do parto :
_ Você vai ter parto normal?? Sabia que a dor é equivalente a 20 ossos quebrando ao mesmo tempo?È a dor da morte, as mães que dizem que a dor não foi tão grande, é porque o fato de amamentar o bebe, apaga a dor, faz elas esquecerem!!
Gente, se você nao tem uma coisa positiva para falar, fique de boca fechada sabe, eu fiquei pensando nessa asneira que ela me falou durante horas, mas depois pensei, ela nao tem filhos, nem morreu para saber que é a dor da morte, então vou confiar no meu corpo, nosso corpo foi projetado para isso, o parto normal, e um desfecho natural para o fim da gestaçao, ele ficou 9 meses se preparando para aquele momento, meu corpo e meu bebe iriam saber como agir, entao relaxei e nao pensei mais em coisas negativas.
Enfim, eu nao consegui evitar sentir os varios sintomas chatos que a sindrome do pânico e ansiedade nos causam, mas graças a Deus eu não tive nenhum ataque de pânico forte durante a minha gestaçao.E nem uso de remedio algum, seja um simples calmante ou remedios para dor, nenhum mesmo.
- Descobri que estava gravida um dia antes do meu aniversario de 25 anos, e foi incrível, uma felicidade sem tamanho, e junto com toda a minha alegria veio o peso da responsabilidade e o medo, o medo de não dar conta, o medo que o pânico me impedisse de ser uma boa mãe. Desde que soube da minha gravidez me esforcei ao máximo para controlar minha ansiedade, eu não podia permitir que meu bebe se sentisse inseguro, não podia deixar ele sentir aquele medo horroroso, não podia ter um ataque de pânico gravida, não queria meu bebe sentindo aquele desespero, precisava manter a calma e o controle para manter meu bebezinho seguro dentro de mim, precisava mostrar pra ele que estava tudo bem e que iria protege-lo sempre.
Marquei uma ultrassonografia para confirmar a gravidez porque odeio tirar sangue, e se podia evitar ao menos uma agulhada, então eu evitaria. Minha sogra me acompanhou, mas não ajudava muito a me sentir segura, já que não tínhamos intimidade e ela não sabia o que se passava comigo. Gente que tortura que sempre foi para mim ficar sentada em clinicas e hospitais esperando me chamarem, minhas mãos formigavam, coração na garganta, tremedeira, sensação que iria cair, ainda assim entrei sozinha, era minha primeira ultra, e aquele momento era só meu, não deixei minha sogra entrar, meu marido não pode ir, então fui sozinha, tremendo e respirando, pensando só no bebe, sentei e esperei a medica, que para minha sorte era um doce, ela começou o exame, e falou:
_ Ah!! Parabéns mamãe!! Você esta gravida!! Olhe um bebezão!!
Gente nessa hora, não tinha panico, não tinha ansiedade. Eram só eu e meu bebe, ele naquela telinha pulando, perfeito. Estava gravida de 11 semanas. Eu sai de la outra mulher, sem medo, rindo e andei tranquila pelas ruas como não fazia a dois anos.
Chegou o bendito dia da bateria de exames, cheguei no laboratório em jejum, com medo, dessa vez meu marido estava comigo, e eu desmaio quando vejo sangue , eu sentia dores de barriga de medo, minha mão tava gelada, suando frio, tremendo muito, e quanto mais demoravam para me chamar mais eu tinha medo, pensava: Meu Deus,vou desmaiar, vou passar mal. E de verdade ate hoje não sei qual era o problema se eu desmaiasse, meu marido poderia me segurar, mas mesmo assim eu morria de medo. Entrei na salinha com aquele cheiro de álcool, só aquele cheiro já me faz sentir desespero, uma enfermeira grossa, mandou eu sentar, eu falei que desmaiava quando via sangue , então ela me disse :
_ Iiiiih vai desmaiar muito ainda então, gravidas fazem exames toda hora, e no parto como é que vai ser??
Poxa ela podia ter me poupado dessa né. Enchi os olhos de lagrimas, mas não chorei segurei na mão do meu marido olhei para a parede e pensei : " Não vou desmaiar também!! Só de ruim!!", não desmaiei, mas o medo que passei quase me tirou a alegria de estar gravida.
No inicio fui em todas as consultas sozinha, meu marido não podia me acompanhar, achei um bom medico, mas os hospitais, mesmo particulares, no Rio de Janeiro eram horríveis, muitas historias tristes nos jornais, eu me sentia muito insegura, só de pensar no parto eu já gelava, sentia minha nuca formigar, meu coração acelerava, isso só de pensar.
Com cinco meses de gestação tive um pequeno sangramento, me apavorei, mãe de primeira viagem, longe da minha mãe, longe da minha tia, passei a noite alerta com medo de perder meu bebe, e minha sogra querida, não parava de falar que era porque eu havia tomado refrigerante, e isso descolava a placenta, que ela havia me avisado mas eu não queria me cuidar, que eu não havia tomado nenhuma das vitaminas que ela me trouxe e bla bla bla. Tive que esperar o dia amanhecer para ir na maternidade, porque uma consulta de emergência era absurdamente caro, quando cheguei la, eu nunca tinha entrado em uma maternidade, ela era toda verde, um verde escuro, enorme, eu vi um medico passar correndo gritando para preparar a sala de cirurgia que ele estava indo, eu vi uma mulher passar andando arcada, e aquilo tudo fez minha cabeça rodar, pensei que se tinha algo errado com meu neném eles iriam me internar, me levar para a cirurgia, sentia que ia desmaiar, uma agonia , uma vontade de fugir dali, o medico me levou para a salinha dele, fez uma ultra, meu bebe estava perfeito, dormindo, coração batendo forte, e a placenta no lugar, ai ele me explicou que pequenos sangramentos eram normais, podiam acontecer, voltei para casa.
Decidimos então voltar a morar em Curitiba, onde eu me sentiria mais segura. Nessa época eu tinha muita falta de ar, e umas pontadas muito fortes no peito, eu já havia feito muitos eletros, e ate um holter eu havia feito, mesmo sabendo que meu coração era saudável, toda vez que dava a pontada eu gelava, e como não ter medo de infartar com pontadas no peito ? O que as pessoas não entendem é que os medos sao pscicologicos, mas as dores que sentimos são reais, os sintomas fisicos são verdadeiros, e é dificil ser racional nesse momento. Eu não queria morrer, as pontadas me tiravam o folego, e era só a minha coluna, devido o peso da barriga.
Durante o pré-natal, que aqui em Curitiba eu fiz pelo sus, eu fui me sentindo mais segura e perdendo o medo do parto, assisti milhares de vídeos de partos, tanto normal quanto cesárea, fiz curso de gestante, fui conhecer a maternidade, a sala de parto, e tudo mais. Li centenas de depoimentos e matérias de mães que tiveram parto normal, no fim eu já não tinha mais medo do parto em si, mas ainda achava que fosse morrer nele. Para quem não tem síndrome do pânico, não vai me entender jamais, mas tenho certeza de que quem sofre com isso, consegue entender, a nossa mente é poderosa demais, e mesmo esses pensamentos parecendo absurdos para a maioria das pessoas, para nós esses medos são reais, e mesmo sem logica eles nos torturam e escravizam.
Nas raras vezes em que precisei sair sozinha aqui durante a gravidez , eu consegui, claro que sempre alerta, tensa, sempre, sempre com tonturas, vista embaçada, e coração acelerado, o simples fato de ouvir chamarem meu nome na sala de espera já acelerava meu coração.
Durante um dos exames de rotina do pré-natal eu desmaiei, e não senti medo algum, por mais estranho que seja, eu morria de medo de desmaiar, e quando desmaiei não senti medo algum.
Passei o resto da minha gestação tranquila, mas toda vez que lembrava da maternidade onde minha filha iria nascer, ou passava na frente, meu corpo gelava na hora, sentia dores de barriga, enjoo, e dores pelo corpo.
Lembro de uma amiga que falou assim dias antes do parto :
_ Você vai ter parto normal?? Sabia que a dor é equivalente a 20 ossos quebrando ao mesmo tempo?È a dor da morte, as mães que dizem que a dor não foi tão grande, é porque o fato de amamentar o bebe, apaga a dor, faz elas esquecerem!!
Gente, se você nao tem uma coisa positiva para falar, fique de boca fechada sabe, eu fiquei pensando nessa asneira que ela me falou durante horas, mas depois pensei, ela nao tem filhos, nem morreu para saber que é a dor da morte, então vou confiar no meu corpo, nosso corpo foi projetado para isso, o parto normal, e um desfecho natural para o fim da gestaçao, ele ficou 9 meses se preparando para aquele momento, meu corpo e meu bebe iriam saber como agir, entao relaxei e nao pensei mais em coisas negativas.
Enfim, eu nao consegui evitar sentir os varios sintomas chatos que a sindrome do pânico e ansiedade nos causam, mas graças a Deus eu não tive nenhum ataque de pânico forte durante a minha gestaçao.E nem uso de remedio algum, seja um simples calmante ou remedios para dor, nenhum mesmo.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Esperando as crises irem embora
Enfim...continuei a esperar que um dia as crises fosse embora, eu demorei muito para pesquisar sobre o assunto, demorei muito para procurar ajuda, eu fiquei contornando a situação, tendo crises de pânico, me trancando em casa, superando saindo e tendo crises novamente.Eu não sabia de todas as inúmeras coisas que a ansiedade nos faz sentir, então cada sintoma era um medo novo, tive medo de morrer engasgada com a comida, porque o nó na garganta não me deixava engolir direito, tive medo de morrer dormindo, eu deitava na cama e sentia meu coração bater tão forte e eu podia contar as batidas dele sem nem por a mão, passava horas contando as batidas para ver se ele estava batendo certinho, e tinha certeza de haver algo errado, um amigo passava horas a fio conversando comigo no telefone porque eu tinha medo de morrer sozinha, então ele ficava falando falando falando qualquer bobagem ate eu dormir, eu tive medo de comer comida estraga e ter uma intoxicação, tive medo de tomar remédios e se eu tomasse uma aspirina ou algum remédio por mais simples que fosse eu já sentia dores de cabeça, enjoo, tontura e lá vinha mais uma crise, tive medo de ter medo.
Ainda assim eu conseguia trabalhar, estudar e viver quase normal, eu ignorava tudo que sentia e continuava, viajei para uma cidade bem longe para prestar vestibular, sozinha, e lá tive uma crise horrorosa, liguei para um amigo que morava na cidade, mas tive vergonha de dizer o que estava acontecendo, e ele não pode ir me encontrar, as pessoas que eu conhecia na cidade não eram intimas o suficiente para que eu pudesse pedir ajuda, sem que elas pensassem que eu era louca, e eu não queria que as pessoas soubessem o que eu tinha, então eu fiquei lá "tendo um treco" ate meu corpo cansar de "morrer" e eu dormi de cansaço, ainda assim prestei vestibular, eu havia ido ate lá, tinha passado uma noite horrível, eu tinha que fazer a prova e passar, todo aquele sofrimento tinha que valer a pena, eu fiz a prova em 40 minutos, corri para a rodoviária peguei o primeiro ônibus e vim para casa, foi a minha ultima viagem sozinha. Eu passei no vestibular, fiquei muito feliz em ter passado em uma faculdade publica, mas me senti a mais derrotada do mundo porque sabia que não iria poder cursar, eu não iria conseguir morar sozinha, a essa altura eu não consegui nem tomar banho sozinha.
Eu namorava um menino pela internet, ele e minha tia foram os meus anjos nessa fase, ele morava em Lisboa na época, e eu havia ido morar com minha tia, eu e o meu namorado resolvemos então morar juntos, ele veio embora, e fomos embora para o Rio de Janeiro, onde a família dele morava,
e la as coisas pioraram muito, eu morria de medo de assalto, de tiroteio, e tudo parecia feio, a cidade parecia assustadora, muito lixo, muita tristeza e muito muito calor. Comecei a trabalhar la , e ainda conseguia ir pro trabalho as vezes sozinha, o fato de eu morrer de medo de assalto me deixava o dia todo alerta, meu marido começou a me levar e buscar do trabalho, e com isso eu parei de sair sozinha, e não conseguia mais me sentir segura sem ele ao meu lado, la eu não tinha amigos, nem família, a família dele não se envolvia muito, então era eu e ele. O meu ultimo ataque de pânico la foi na rua ,eu estava sozinha, e precisei pedir ajuda para uma moça, e ela foi um anjo, ela sentou comigo e ficou falando da filha dela que estava gravida de oito meses, um mês depois eu descobri que estava gravida.
Ainda assim eu conseguia trabalhar, estudar e viver quase normal, eu ignorava tudo que sentia e continuava, viajei para uma cidade bem longe para prestar vestibular, sozinha, e lá tive uma crise horrorosa, liguei para um amigo que morava na cidade, mas tive vergonha de dizer o que estava acontecendo, e ele não pode ir me encontrar, as pessoas que eu conhecia na cidade não eram intimas o suficiente para que eu pudesse pedir ajuda, sem que elas pensassem que eu era louca, e eu não queria que as pessoas soubessem o que eu tinha, então eu fiquei lá "tendo um treco" ate meu corpo cansar de "morrer" e eu dormi de cansaço, ainda assim prestei vestibular, eu havia ido ate lá, tinha passado uma noite horrível, eu tinha que fazer a prova e passar, todo aquele sofrimento tinha que valer a pena, eu fiz a prova em 40 minutos, corri para a rodoviária peguei o primeiro ônibus e vim para casa, foi a minha ultima viagem sozinha. Eu passei no vestibular, fiquei muito feliz em ter passado em uma faculdade publica, mas me senti a mais derrotada do mundo porque sabia que não iria poder cursar, eu não iria conseguir morar sozinha, a essa altura eu não consegui nem tomar banho sozinha.
Eu namorava um menino pela internet, ele e minha tia foram os meus anjos nessa fase, ele morava em Lisboa na época, e eu havia ido morar com minha tia, eu e o meu namorado resolvemos então morar juntos, ele veio embora, e fomos embora para o Rio de Janeiro, onde a família dele morava,
e la as coisas pioraram muito, eu morria de medo de assalto, de tiroteio, e tudo parecia feio, a cidade parecia assustadora, muito lixo, muita tristeza e muito muito calor. Comecei a trabalhar la , e ainda conseguia ir pro trabalho as vezes sozinha, o fato de eu morrer de medo de assalto me deixava o dia todo alerta, meu marido começou a me levar e buscar do trabalho, e com isso eu parei de sair sozinha, e não conseguia mais me sentir segura sem ele ao meu lado, la eu não tinha amigos, nem família, a família dele não se envolvia muito, então era eu e ele. O meu ultimo ataque de pânico la foi na rua ,eu estava sozinha, e precisei pedir ajuda para uma moça, e ela foi um anjo, ela sentou comigo e ficou falando da filha dela que estava gravida de oito meses, um mês depois eu descobri que estava gravida.
O inicio do pesadelo
Bem, para começar quero deixar claro que, não sou psicóloga e nem medica, minhas informações e relatos são baseados na minha própria experiência com a síndrome do pânico, resolvi criar o blog no intuito de ajudar quem tambem sofre com esse mal, já que ler depoimentos de outras pessoas me ajudou muito a entender o que eu estou enfrentando, o que eu sinto, e é das tantas historias de cura que tiro forças para continuar a enfrentar.
Era mês de julho de 2009 quando tudo começou, estava tomando uma cerveja com uma amiga, conversando sobre qualquer coisa, quando meu corpo formigou inteiro, pensei estar sendo possuída por um espírito, foi a primeira coisa que me veio na cabeça, então orei desesperada, e não durou mais que alguns segundos, alguns dias depois estava passando por muita pressão, estresse, e sempre fui ansiosa, senti novamente, e o fato de achar que fosse um espírito me deixava ainda mais nervosa, alerta, na mesma semana, estava tranquila em casa com meus pais, senti uma bola na garganta, parecia que minha língua inchada, me sufocando, olhei para as paredes, elas estavam diminuindo, corri pro meu quarto, não conseguia respirar, um aperto no peito, e meu braço formigou, pedi para os meus pais que me levassem para o pronto socorro, eu morava no interior, isso levaria meia hora, e acreditem eu estava tendo um ataque de pânico, o meu primeiro ataque de pânico, e meu pai foi jantar enquanto assistia jornal e minha mãe foi tomar banho para só então saírem comigo, no caminho todo para o hospital me concentrei em contar números para não pensar no que estava sentindo, eu estava morrendo tinha certeza, pensei que estava infartando, já que minhas mãos formigavam e meu braço esquerdo doía, meu peito estava apertado e não conseguia respirar direito, quando finalmente fui atendida pelo medico, eu ja estava mais calma, já havia parado de "morrer", ele me disse que eu havia tido uma crise de ansiedade, me receitou remédios e mandou que eu procurasse um psiquiatra.
Na mesma semana procurei um psiquiatra, ele me receitou um remédio, que sinceramente nunca senti melhora alguma, desisti de tomar, comecei a ir no massagista, isso aliviava minhas dores no peito, e me convenci que aqueles ataques de pânico uma hora ou outra iriam embora, afinal eu não nasci com isso.
Era mês de julho de 2009 quando tudo começou, estava tomando uma cerveja com uma amiga, conversando sobre qualquer coisa, quando meu corpo formigou inteiro, pensei estar sendo possuída por um espírito, foi a primeira coisa que me veio na cabeça, então orei desesperada, e não durou mais que alguns segundos, alguns dias depois estava passando por muita pressão, estresse, e sempre fui ansiosa, senti novamente, e o fato de achar que fosse um espírito me deixava ainda mais nervosa, alerta, na mesma semana, estava tranquila em casa com meus pais, senti uma bola na garganta, parecia que minha língua inchada, me sufocando, olhei para as paredes, elas estavam diminuindo, corri pro meu quarto, não conseguia respirar, um aperto no peito, e meu braço formigou, pedi para os meus pais que me levassem para o pronto socorro, eu morava no interior, isso levaria meia hora, e acreditem eu estava tendo um ataque de pânico, o meu primeiro ataque de pânico, e meu pai foi jantar enquanto assistia jornal e minha mãe foi tomar banho para só então saírem comigo, no caminho todo para o hospital me concentrei em contar números para não pensar no que estava sentindo, eu estava morrendo tinha certeza, pensei que estava infartando, já que minhas mãos formigavam e meu braço esquerdo doía, meu peito estava apertado e não conseguia respirar direito, quando finalmente fui atendida pelo medico, eu ja estava mais calma, já havia parado de "morrer", ele me disse que eu havia tido uma crise de ansiedade, me receitou remédios e mandou que eu procurasse um psiquiatra.
Na mesma semana procurei um psiquiatra, ele me receitou um remédio, que sinceramente nunca senti melhora alguma, desisti de tomar, comecei a ir no massagista, isso aliviava minhas dores no peito, e me convenci que aqueles ataques de pânico uma hora ou outra iriam embora, afinal eu não nasci com isso.
Assinar:
Postagens (Atom)

